Vou de peito aberto,
entrego o meu coração.
Fecho os olhos,
abro os braços,
estendo a mão.
Vou às cegas
à procura do mundo,
dos outros,
de ti.
Não tenho medo do que é novo,
tenho medo do que é vazio.
Caminho sob a chuva,
deixo-me molhar.
Lavo a alma e os olhos,
deixo-me limpar.
E dentro de mim fica esse cheiro
a chuva de verão.
[2.7.16]
21 de março de 2017
6 de março de 2017
Amar pelos dois.
Em 74 levámos "E depois do adeus", canção que dispensa apresentações e que marcou a nossa história. Três pontos na final, décimo-quarto lugar. Em 76 levámos "Uma flor de verde pinho", poema sublime de Manuel Alegre, interpretado pelo enorme e eterno Carlos do Carmo. Dois pontos na final, décimo-segundo lugar. Em 84 levámos "Silêncio e tanta gente", um "one woman show" de Maria Guinot absolutamente impressionante. Trinta e oito pontos na final, décimo-primeiro lugar.
Canções maravilhosas, ignoradas no grande "show" da música europeia. Canções-balada, cantadas em português. Também já levámos canções animadas como "A festa da vida", "Playback", "Conquistador" ou "O meu coração não tem cor". Salvo esta última, os resultados não foram muito melhores para este "tipo" de canções. Por isso, no dia em que alguém conseguir definir o que é "uma canção de festival", poder-se-ão classificar segundo esse critério as nossas participações. Enquanto isso não acontece, penso que a canção da Luísa e do Salvador é simplesmente uma belíssima balada de amor, digna representante da maravilhosa música que se faz no nosso país.
18 de janeiro de 2017
Dona do tempo.
Vivemos a correr, embrenhados nos nossos problemas, nas nossas lutas diárias, ou até na preguiçosa e enfadonha rotina de quem vê nascer e pôr-se o sol sem que nada de novo aconteça. Às vezes vivemos momentos que são como efémeros raios de luz, manifestações espontâneas da beleza do mundo, viagens, celebrações, conquistas, abraços apertados que nos aconchegam na certeza de que há sempre algo de bom para recordar. Vivemos sem tempo para nada, e sobretudo sem tempo para pensar que controlamos muito pouco do que acontece à nossa volta e até connosco. Deixamos para amanhã tudo o que não nos apetece fazer hoje, porque amanhã é outro dia. Trabalhamos mais horas do que devíamos porque tudo é urgente e nada pode ficar para trás, ou para amanhã. Pensamos ao longe naquele reencontro prometido, naquele abraço que ficou por dar, naquelas vezes em que não esperámos pela resposta ao habitual "tudo bem?". Vivemos como se fosse para sempre, às vezes com medo de que não seja, mas sempre a acreditar que há-de haver tempo.
E às vezes de repente a vida vem e dá-nos uma chapadona daquelas mesmo bem assentes, deixa-nos sem palavras e recorda-nos que é ela quem manda. No tempo e em (todos) nós.
14 de outubro de 2016
Serei quem quiser ser.
São 00:53 e calculo que sairei do laboratório por volta das 01:15-01:30. Hoje cheguei às 7:45, parei uma hora para almoçar e vinte minutos ao fim da tarde para comer alguma coisa e tirar as lentes de contacto, para poder continuar sem que os meus olhos se queixem demasiado. Na quarta-feira passada foi idêntico. E em tantos outros dias.
Doem-me os olhos de tantas horas passadas no escuro a olhar para órgãos diminutos, para um microscópio e para um ecrã. Doem-me as costas de tanto tempo sentada, nem sempre na melhor posição, em tarefas minuciosas, que exigem que as minhas mãos não tremam, mas tremem. Ao fim de mais de 12 horas, não consigo fazer com que não tremam.
Triplico a atenção em cada passo, em cada mínima tarefa, porque sei que o meu corpo e o meu cérebro me podem trair. Depois de um dia tão longo, não posso estragar tudo agora. Sigo o protocolo, abro bem os olhos que pedem descanso, controlo todos os passos.
Amanhã é sábado mas hei-de cá voltar, umas horas, para acabar o ensaio. Com a mesma vontade, a mesma curiosidade, a mesma ilusão de quem está a começar, ainda que já sejam cinco anos desta vida.
A um dado momento, disseram-me, repetidamente, que provavelmente este caminho profissional não era o meu. Que não tinha o que era necessário, que não era suficientemente rigorosa, organizada, até dedicada para poder fazer investigação científica. Em dias como hoje, permito-me discordar.
22 de julho de 2016
Em círculo.
Fomos Nova Iorque, 11 de Setembro, estarrecidos.
Fomos Madrid, 11 de Março, confusos e surpreendidos.
Fomos Londres, Oslo, Boston, Paris, Ancara e Bruxelas.
Fomos Charlie porque nos tocava,
Aylan porque nos chocava.
Mas esquecemos.
Todos os dias nos esquecemos de ser paz, abraço, abrigo, amor.
Combatemos a guerra de armas nas mãos,
sem nos darmos conta que a estamos a alimentar.
Combatemos o medo de insultos na boca,
sem nos darmos conta que o estamos a semear.
Há tanto ruído que já não ouvimos,
já não nos escutamos.
Quando é que falar se fez mais importante do que ouvir?
Quando é que fugir, esconder, proteger,
se tornaram mais importantes do que estar, olhar, arriscar, SENTIR?
Fomos tudo sem ser nada.
Fomos tudo o que o mundo quis ouvir,
nada do que um dia,
ao olhar para trás,
gostaríamos de ter sido.
Porque no meio do barulho,
das vozes,
dos insultos,
das armas,
do medo,
no meio do medo tem que poder continuar a florescer o amor.
No meio de nós,
no meio do nosso medo de sucumbir,
têm de persistir uns braços abertos,
entregues,
confiantes,
ousados,
diferentes.
Se continuarmos a virar nas mesmas esquinas,
nunca mudaremos o nosso destino.
[12.4.2016]
Fomos Madrid, 11 de Março, confusos e surpreendidos.
Fomos Londres, Oslo, Boston, Paris, Ancara e Bruxelas.
Fomos Charlie porque nos tocava,
Aylan porque nos chocava.
Mas esquecemos.
Todos os dias nos esquecemos de ser paz, abraço, abrigo, amor.
Combatemos a guerra de armas nas mãos,
sem nos darmos conta que a estamos a alimentar.
Combatemos o medo de insultos na boca,
sem nos darmos conta que o estamos a semear.
Há tanto ruído que já não ouvimos,
já não nos escutamos.
Quando é que falar se fez mais importante do que ouvir?
Quando é que fugir, esconder, proteger,
se tornaram mais importantes do que estar, olhar, arriscar, SENTIR?
Fomos tudo sem ser nada.
Fomos tudo o que o mundo quis ouvir,
nada do que um dia,
ao olhar para trás,
gostaríamos de ter sido.
Porque no meio do barulho,
das vozes,
dos insultos,
das armas,
do medo,
no meio do medo tem que poder continuar a florescer o amor.
No meio de nós,
no meio do nosso medo de sucumbir,
têm de persistir uns braços abertos,
entregues,
confiantes,
ousados,
diferentes.
Se continuarmos a virar nas mesmas esquinas,
nunca mudaremos o nosso destino.
[12.4.2016]
13 de abril de 2016
Nosotros
La poesía es una casa abierta al mar,
amplia, luminosa y llena de oportunidades,
llena de paredes en blanco donde vaciarnos.
La poesía es la mirada sobre el mar,
que nos inspira y nos baña en sal,
capaz de conservarnos hasta la última sonrisa.
La poesía es la búsqueda eterna
por otros habitantes para esa casa,
dejando anúncios en verso para quien quiera leerlos.
La poesía es una niña que brilla como el sol
aunque prefiera esconderse en la sombra,
es el color vivo de tu sonrisa,
la simplicidad del acto de barrer,
y limpiarnos de presunciones.
La poesía es una llama encendida de repente,
una voz levantada del silencio,
un cuerpo tumbado en el suelo,
una carcajada liberada de lo más fondo de mi.
La poesía es el fuego de todos los cañones
en el revólver de nuestras almas
y saber que, noche tras noche,
entre amigos, versos y abrazos,
reímos en silencio
para no espantar la felicidad.
[12.4.16]
amplia, luminosa y llena de oportunidades,
llena de paredes en blanco donde vaciarnos.
La poesía es la mirada sobre el mar,
que nos inspira y nos baña en sal,
capaz de conservarnos hasta la última sonrisa.
La poesía es la búsqueda eterna
por otros habitantes para esa casa,
dejando anúncios en verso para quien quiera leerlos.
La poesía es una niña que brilla como el sol
aunque prefiera esconderse en la sombra,
es el color vivo de tu sonrisa,
la simplicidad del acto de barrer,
y limpiarnos de presunciones.
La poesía es una llama encendida de repente,
una voz levantada del silencio,
un cuerpo tumbado en el suelo,
una carcajada liberada de lo más fondo de mi.
La poesía es el fuego de todos los cañones
en el revólver de nuestras almas
y saber que, noche tras noche,
entre amigos, versos y abrazos,
reímos en silencio
para no espantar la felicidad.
[12.4.16]
4 de março de 2016
Crónica de uma vitória (não) anunciada.
Sempre fui uma miúda gordita. Às vezes gorda, às vezes gorduchinha, às vezes (cuidadosamente) "forte" (para evitar possíveis constrangimentos). Nasci gordinha, aprendi mais tarde que aos bebés como eu nos chamam "macrossómicos" (coisa fina, isto de ter categoria especial logo à nascença!). Cresci gordinha e o cuidado dos meus pais, guiados pela sábia mão de uma grande nutricionista, corrigiu o problema hoje tão em voga - a obesidade infantil. Não me lembro de fazer dieta quando era pequena, mas de todas as histórias que já me contaram, acabo por ter imagens desse tempo na minha cabeça. Também por isso, não me lembro se foi um sacrifício muito grande ou não, não recordo sofrer com esse assunto - e isso é a melhor parte. No entanto, recordo ter lutado com o meu peso durante todos estes quase 29 anos. Às vezes pela mão dos meus pais e da nutricionista, às vezes confrontada com o "corpo inadequado" para a ginástica rítmica (desporto que ainda hoje adoro e admiro, quase 15 anos depois de ter deixado de o praticar), às vezes consciente dos perigos da obesidade, às vezes conformada com o meu "ser gordinha" e de cabeça erguida porque "sou como sou e não como me vêem". Fazia desporto, era saudável, não comia muitas "porcarias" - comia muito. Muito de tudo, muito das coisas que mais gostava, muito de todos os nutrientes, muita comidinha mesmo.
Então fui para a Faculdade e o ponteiro da balança deu um salto de 10 kg. Tinha deixado de fazer desporto, de ter horários, de almoçar e jantar em casa todos os dias. Tinha começado a viver a vida académica ao máximo e isso implicava nem sempre ter tempo para jantar entre as aulas e a reunião da AE ou o ensaio das Sirigaitas e por isso comer qualquer coisa no bar mais próximo. Jantaradas, reuniões de amigos, ensaios, festivais, zero cuidados e muita "boa vida". Só consegui recuperar (pouco) no último ano, com os horários do estágio que me permitiam voltar ao ginásio regularmente. Pelo meio tentei fazer desporto, tentei a ajuda de outra excelente nutricionista, mas o problema não eram as ajudas, o problema era eu e a minha pouca força de vontade. E este problema continuou a agravar-se em Londres e em Santiago, com tentativas falhadas de perder peso, com compromissos (muito) irregulares com o ginásio, com a vida social que sentia que estava a perder de cada vez que me comprometia a cuidar do meu peso. Enfim, a mesma luta de sempre. E a mesma desculpa de sempre - a minha vida não me permite fazer dieta, enquanto não acabar esta tese não vou conseguir perder peso.
Em Agosto de 2015 decidi (confesso que com pouca fé em mim mesma) tentar outra vez. Com a ajuda de outra grande nutricionista, com um enorme desafio pela frente, com vontade mas com medo de falhar, outra vez. Não foi por saúde, talvez nem por estética, foi mesmo por prevenção. Pensei que a recta final do doutoramento era a pior época possível para começar uma dieta, mas enganei-me. Uma vez mais, o problema era apenas a minha determinação. E essa, felizmente, desta vez não me faltou. Comecei a pôr em prática o plano alimentar e veio logo uma série de "asneiras": uma visita de um grande amigo a Santiago, um fim-de-semana em Madrid, outro nas Astúrias, outra visita em Santiago, enfim... Mas durante a semana era rigorosa. Voltei ao ginásio comprometida com as (fantásticas) aulas de jump e fui andando, tentando, persistindo. Afinal, não era assim tão difícil, não custava assim tanto, não me sentia nada culpada quando "deslizava" e por isso não o fazia assim tantas vezes.
Ontem (excepcionalmente, porque prefiro fazê-lo apenas quando vou à consulta), subi a uma balança. Era daquelas antigas, analógicas, talvez por isso me senti mais confiante - parece que a probabilidade de erro é menor nesse tipo de balança. O ponteiro marcou um valor que era o mais baixo que recordo nos últimos 10 anos. Em 6 meses, livrei-me de aproximadamente 14 kg (quase 3 garrafões de 5L de água, como diz a Dra. Luciana!) e sinto-me óptima. Este caminho ainda não acabou e a luta em si creio que durará toda a vida, mas pela primeira vez em muito tempo, vou eu à frente. E confio que vou ganhar.
Então fui para a Faculdade e o ponteiro da balança deu um salto de 10 kg. Tinha deixado de fazer desporto, de ter horários, de almoçar e jantar em casa todos os dias. Tinha começado a viver a vida académica ao máximo e isso implicava nem sempre ter tempo para jantar entre as aulas e a reunião da AE ou o ensaio das Sirigaitas e por isso comer qualquer coisa no bar mais próximo. Jantaradas, reuniões de amigos, ensaios, festivais, zero cuidados e muita "boa vida". Só consegui recuperar (pouco) no último ano, com os horários do estágio que me permitiam voltar ao ginásio regularmente. Pelo meio tentei fazer desporto, tentei a ajuda de outra excelente nutricionista, mas o problema não eram as ajudas, o problema era eu e a minha pouca força de vontade. E este problema continuou a agravar-se em Londres e em Santiago, com tentativas falhadas de perder peso, com compromissos (muito) irregulares com o ginásio, com a vida social que sentia que estava a perder de cada vez que me comprometia a cuidar do meu peso. Enfim, a mesma luta de sempre. E a mesma desculpa de sempre - a minha vida não me permite fazer dieta, enquanto não acabar esta tese não vou conseguir perder peso.
Em Agosto de 2015 decidi (confesso que com pouca fé em mim mesma) tentar outra vez. Com a ajuda de outra grande nutricionista, com um enorme desafio pela frente, com vontade mas com medo de falhar, outra vez. Não foi por saúde, talvez nem por estética, foi mesmo por prevenção. Pensei que a recta final do doutoramento era a pior época possível para começar uma dieta, mas enganei-me. Uma vez mais, o problema era apenas a minha determinação. E essa, felizmente, desta vez não me faltou. Comecei a pôr em prática o plano alimentar e veio logo uma série de "asneiras": uma visita de um grande amigo a Santiago, um fim-de-semana em Madrid, outro nas Astúrias, outra visita em Santiago, enfim... Mas durante a semana era rigorosa. Voltei ao ginásio comprometida com as (fantásticas) aulas de jump e fui andando, tentando, persistindo. Afinal, não era assim tão difícil, não custava assim tanto, não me sentia nada culpada quando "deslizava" e por isso não o fazia assim tantas vezes.
Ontem (excepcionalmente, porque prefiro fazê-lo apenas quando vou à consulta), subi a uma balança. Era daquelas antigas, analógicas, talvez por isso me senti mais confiante - parece que a probabilidade de erro é menor nesse tipo de balança. O ponteiro marcou um valor que era o mais baixo que recordo nos últimos 10 anos. Em 6 meses, livrei-me de aproximadamente 14 kg (quase 3 garrafões de 5L de água, como diz a Dra. Luciana!) e sinto-me óptima. Este caminho ainda não acabou e a luta em si creio que durará toda a vida, mas pela primeira vez em muito tempo, vou eu à frente. E confio que vou ganhar.
29 de fevereiro de 2016
"Una luz distinta"
Quería hablarte de todo lo que fui antes de ti,
de los días grises sin fe
y de las mañanas verdes de esperanza.
Quería decirte que intento ser yo en cada instante,
pero la vida cambia y nosotros con ella.
Y por eso a veces no sé bien quien soy,
quien fui antes de ti o quien quiero ser ahora.
Quería contarte mis conquistas,
llorarte mis derrotas,
narrarte mi historia poco a poco, sin prisas.
Quería llevarte a mis memorias,
pasear contigo por mis recuerdos,
mostrarte el camino que he recorrido sin ti,
antes de ti, esperando por ti, buscándote a ti.
Pero en el fondo de tus ojos color tierra, profundos,
veo como buscas en lo más fondo de mi
los detalles de quien soy ahora, contigo.
Y en tu mirada intensa olvido el pasado,
me desintereso de explicarte quien fui,
pierdo el miedo de no encontrarme
y empiezo a reescribirme, hoy.
Porque nunca nadie me había mirado así,
con tanto futuro en los ojos.
[07.11.15]
Parabéns, a ti que és uma luz distinta. Que vieste mudar o meu guião, que vieste mudar-me e iluminar-me um pouco mais os dias. Parabéns! :)
de los días grises sin fe
y de las mañanas verdes de esperanza.
Quería decirte que intento ser yo en cada instante,
pero la vida cambia y nosotros con ella.
Y por eso a veces no sé bien quien soy,
quien fui antes de ti o quien quiero ser ahora.
Quería contarte mis conquistas,
llorarte mis derrotas,
narrarte mi historia poco a poco, sin prisas.
Quería llevarte a mis memorias,
pasear contigo por mis recuerdos,
mostrarte el camino que he recorrido sin ti,
antes de ti, esperando por ti, buscándote a ti.
Pero en el fondo de tus ojos color tierra, profundos,
veo como buscas en lo más fondo de mi
los detalles de quien soy ahora, contigo.
Y en tu mirada intensa olvido el pasado,
me desintereso de explicarte quien fui,
pierdo el miedo de no encontrarme
y empiezo a reescribirme, hoy.
Porque nunca nadie me había mirado así,
con tanto futuro en los ojos.
[07.11.15]
Parabéns, a ti que és uma luz distinta. Que vieste mudar o meu guião, que vieste mudar-me e iluminar-me um pouco mais os dias. Parabéns! :)
19 de janeiro de 2016
Os Nomes.
Quero ensinar-te os nomes das coisas,
virar tudo do avesso e inventar palavras,
só nossas.
Palavras que sussurremos às escondidas como segredos,
que servem apenas para desvendar outros maiores,
os do mundo.
Quero ensinar-te os nomes das pessoas,
mostrar-te que todas elas valem por si próprias,
únicas e sós.
Sós até que alguém como tu as encontre
e lhes peça para aprender novas palavras,
só vossas.
Quero ensinar-te o nome do mundo,
imenso e distinto em todo o seu esplendor,
completo.
Para que te lembres sempre que as palavras são armas
e que tudo tem o seu nome, mesmo que seja inventado,
mas nosso.
Quero ensinar-te que os nomes são dignidade.
Quero ensinar-te a amar cada nome, cada coisa, cada pessoa.
[05.05.15]
virar tudo do avesso e inventar palavras,
só nossas.
Palavras que sussurremos às escondidas como segredos,
que servem apenas para desvendar outros maiores,
os do mundo.
Quero ensinar-te os nomes das pessoas,
mostrar-te que todas elas valem por si próprias,
únicas e sós.
Sós até que alguém como tu as encontre
e lhes peça para aprender novas palavras,
só vossas.
Quero ensinar-te o nome do mundo,
imenso e distinto em todo o seu esplendor,
completo.
Para que te lembres sempre que as palavras são armas
e que tudo tem o seu nome, mesmo que seja inventado,
mas nosso.
Quero ensinar-te que os nomes são dignidade.
Quero ensinar-te a amar cada nome, cada coisa, cada pessoa.
[05.05.15]
14 de janeiro de 2016
Coração florido
Cresci num tempo em que se banalizou a palavra amor. Dizia-se "amor" por tudo e por nada, a uma quantidade razoável de pessoas nas nossas vidas. Os mais velhos olhavam-nos como se aquela simples palavra, usada como substantivo ou como verbo, conjugada nas mais variadas pessoas, fosse um tesouro precioso, um vinho "reserva" que só se bebe nos "dias especiais" (sim, essas garrafas que todos acabamos por herdar de pais e avós que nunca consideraram um dia suficientemente especial para esse vinho). Olhavam-nos como se estivéssemos a desperdiçar amor, a gastar a palavra e o sentimento, a esgotar uma fonte invisível.
Eu, no entanto, que nem era tão habitual no uso da palavra, sempre pensei como era egoísta essa histórica e tradicional contenção do amor. Se nesse momento da nossa vida, nessa circunstância particular, é amor o que sentimos pela(s) pessoa(s) que temos à nossa frente, porque haveríamos de o conter? Se não for por timidez, não vejo motivo para não dizer amor, mostrar amor e ser amor para quem realmente amamos. E há tantas pessoas que passam pela nossa vida deixando e levando amor... Tanta gente que amamos, amámos ou amaremos de pleno coração. Tantas pessoas que enchem os nossos dias da certeza de sermos amados, que é, para mim, a base da felicidade. Porque não o dizemos?
Hoje, encontrei neste blog esta versão de uma canção eterna. Tudo se resume a esta pequena frase: "Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão..."
Por isso, a todos os que têm enchido a minha vida de luz e sonhos, saibam que tudo seria diferente se eu não vos amasse tanto. Porque o amor não pode ficar por dizer. Por mais que o vento leve as palavras, "amor" é das poucas que tem a capacidade de se gravar em nós para sempre. Contra ventos e marés.
5 de janeiro de 2016
London love.
Faz hoje cinco anos.
Cheguei à cidade sonhada numa tarde-noite cinzenta, de chuviscos leves, como que a lembrar-me que às vezes os "clichés" também marcam presença no nosso dia-a-dia, para garantir que o mundo continua a girar na direcção habitual. Chovia em Londres mas em mim o sol era intenso, luminoso, ardente. Anos antes, em passeio, tinha prometido a mim mesma, olhos postos no horizonte atrás de St James Park e de Buckingham Palace, que um dia havia de viver naquela cidade que me conquistou. Faz hoje cinco anos, esse foi o dia.
Tenho saudades de Londres quase todos os dias. Deixei naquela mágica amálgama de ruas uma parte muito importante do meu coração. Gravei naquelas paredes, naquelas calçadas, o meu nome e a minha alma. Londres não se lembrará de mim, uma mera habitante passageira, mas eu jamais esquecerei aqueles seis meses de sonho. Ainda hoje não consigo explicar o que me une àquele lugar, mas continuo a sentir que hei-de regressar. Muitas vezes.
Fui incrivelmente feliz naqueles seis meses. Conheci pessoas maravilhosas, que ainda hoje tenho o privilégio de poder abraçar, de vez em quando, quando os complexos caminhos da vida nos voltam a reunir aqui ou ali. Conheci lugares mágicos, recantos escondidos, cores únicas, sons perfeitos. Trago nos meus passos o mapa dos caminhos que percorri, com a certeza que voltar a andar por ali me trará lágrimas aos olhos.
Faz hoje cinco anos, parece que foi ontem, quem sabe se não será "amanhã".
Thank you so much, my dear, my beloved, eternal capital of my heart.
4 de janeiro de 2016
Sabor a recomeço...
Acabou 2015 e eu fiquei com vontade de mais.
Ao contrário dos dois anos anteriores, que tinham sido duros, cheios daquelas preocupações pequeninas (e não tão pequeninas) que nos vão minando a coragem e que vão fazendo com que seja difícil ver o lado bom das coisas, 2015 foi doce. Foi suave, alegre, sorridente, tranquilo, feliz. Claro que houve dificuldades e obstáculos e lutas. Mas se pensar na sensação com que fico deste ano foi, claramente, a de um ano doce.
Em 2015 dei aulas (práticas), "tive" alunos pela primeira vez e soube o que era esse sentimento de realização pessoal. Com coisas simples, porque é delas que se faz a vida, pois claro! Soube que esse é o meu objectivo maior e que, de alguma forma, lá chegarei. Em 2015 escrevi muito, muito mais poesia do que prosa, muito mais poesia do que alguma vez tinha escrito na vida, muitas mais palavras tiradas cá de dentro a conhecer a luz do dia. Em 2015 também cantei mais. Cantei em público, conhecido ou nem tanto, cantei com medo, cantei com confiança, cantei com um sorriso na alma, porque quem me dera que a vida pudesse ser só cantar. Em 2015 mudei a minha forma de ver e tratar a comida, dei uma volta às minhas rotinas e finalmente comecei o processo que há anos devia ter tido começo. O caminho é longo mas uma parte já está percorrida e, sobretudo, uma parte fundamental já está conseguida - a mudança de hábitos. Em 2015 ganhei um "sobrinho", vivi o casamento de grandes amigos, celebrei o amor e a vida e a alegria de estarmos juntos, que é motivo mais do que suficiente. Despedi-me de amigos, voltei a abraçá-los, visitei-os, recebi-os, quase os "perdi", comecei a recuperá-los. Partilhei mil e um momentos inesquecíveis com as pessoas que mantêm unido o meu coração disperso pelo mundo. Em 2015 comecei um novo caminho, encontrei um abrigo especial, um espaço noutro coração para repousar o meu. Aprendi que tudo se renova, tudo se resolve, tudo se encontra. E que a forma mais eficaz de ser feliz é sempre simplificar.
As expectativas são altas e a resolução de ano novo foi só uma: encontrar-me mais com as minhas pessoas, física ou virtualmente, estar mais perto. Que 2016 seja doce, pelo menos tão doce...
21 de dezembro de 2015
Jornadas eleitorais
Ontem, neste país onde vivo, celebrou-se mais uma jornada eleitoral, o chamado "20D" (estes tipos gostam destas siglas e usam-nas para tudo). Dado que não tenho possibilidade de votar nestas eleições "gerais" (entenda-se, para formar o Congresso de Deputados e consequentemente o futuro Governo) por ser cidadã do país vizinho - quando mexerem nos impostos digo que não pago porque não tive direito a votar! - decidi fazer uma pequena reflexão/comparação sobre o que ocorreu neste 20D e o que se passou em Portugal no nosso próprio "4O" ou mais propriamente o que aconteceu depois desse dia.
Sem pretensões de analista política (não tenho conhecimentos suficientes para tal), o meu estatuto de "leiga imigrante sem direito a voto" permite-me observar tudo de fora e tirar as minhas próprias ilacções... Ora então:
1) Primeiríssimo e mais importante do que tudo: numas eleições marcadas pelo "voto roubado" (dificuldades impostas aos emigrantes para votar) e outros obstáculos colocados à população para que pudesse participar, a abstenção foi apenas de 27%. Ou seja, em Portugal, numas eleições igualmente importantes em termos de potencialmente mudar o "sistema", a abstenção foi muitíssimo superior (44%). Curioso como isto demonstra que num país tão ou mais marcado pela corrupção como o nosso, num país onde a justiça para esses corruptos tem sido ainda mais lenta e menos fiável, num país de bipartidismo arraigado, onde pouca gente parecia crer que as coisas pudessem mudar, mesmo assim mais de 25 milhões de pessoas exerceram o seu direito/dever. Impressionante. Depois queixamo-nos!
2) Os resultados destas eleições são sumamente curiosos: um equilíbrio impressionante. Um castigo à direita (menos 63 deputados em relação a 2011), que ainda assim não permitiu que esta deixasse de ser a primeira força política no país (um mapa em azul que é um pouco vergonhoso depois de tantos e tantos casos de corrupção expostos e mais que expostos). Um castigo à esquerda socialista que não foi capaz de se reinventar para "destronar" o PP e acaba a perder, ainda que menos significativamente (menos 20 deputados em relação a 2011). Uma entrada poderosa de dois partidos "emergentes", sobretudo de Podemos, reflexo não só da vontade de mudança da população, mas também do medo a essa mesma mudança, já que a "reviravolta" poderia ter sido ainda mais impressionante. Principalmente, agrada-me a perspectiva de que já nada se pode fazer sem dialogar, sem negociar, sem ceder, sem chegar a acordos. Tal como em Portugal... Mas o mais curioso de tudo é que aqui a possibilidade de um acordo de governação à esquerda, com cedências entre PSOE, Podemos e Izquierda Unida e com a "conivência" dos nacionalistas, é algo considerado totalmente normal! É apenas mais uma das hipóteses que se configuram neste complicado cenário político. Coisa que não aconteceu em Portugal, com acusações de "eleições ganhas na secretaria", etc... Interessante...
3) Uma última nota para a injustiça BRUTAL que constitui a lei eleitoral espanhola, regida pelo método de Hondt conjugado com uma eleição por circunscrição provincial. Este sistema leva a que, por exemplo, para que o Partido Popular possa eleger um deputado, sejam necessários aproximadamente 60000 votos; contrariamente, a Unidad Popular (Izquierda Unida), para eleger um deputado, necessita de aproximadamente 400000 votos (quase 7 vezes mais). Esta situação é inaceitável já que conduz a que o voto de um cidadão de uma determinada província tenha mais valor que o de outro cidadão de outra província, algo pouco compreensível num país democrático. Talvez este seja o primeiro ponto que o futuro governo deva discutir, com urgência, seja de que hemisfério político for...
E agora, esperemos para ver se o Congresso deixa passar 4 anos mais de Mariano Rajoy e amigos (duvido), se a esquerda se entende com Pedro Sánchez à cabeça (difícil) ou se dentro de uns meses os meus amigos espanhóis estarão de novo a votar para as "generales" e eu a fazer as minhas apreciações... :)
18 de dezembro de 2015
Mudámos.
Faz hoje 10 anos, pouco tempo depois de iniciar uma nova etapa na minha vida, dava vida a este espaço, um abrigo para as palavras que transbordavam, para os sentimentos que precisavam de ser expressados, para as dúvidas, as inseguranças, as tristezas, mas também para as alegrias, as conquistas e os motivos para sorrir que ia tendo.
Foram 10 anos de escrita, nem sempre muito regular, até ao dia de hoje. Esta é a publicação número 250 d'O Abrigo e é também sinal de um ponto de viragem, 10 anos depois.
Neste tempo, muita coisa mudou. Sobretudo, mudou a rapariguinha de 18 anos que escrevia num blog o que lhe passava pela cabeça e pelo coração. Mudei como pessoa, mudei de ideias sobre algumas coisas, mudei de casa(s), de pessoa(s), de vida. Mantendo a personalidade que fui construindo ao longo destes 28 anos, sou hoje sem dúvida uma pessoa muito diferente daquela que decidiu a 18 de Dezembro de 2005 começar a escrever neste espaço.
Mas mudou também O Abrigo. Mudou o conceito, o tipo de coisas que escrevia, o estilo de escrita. Por isso, ao fim de 10 anos de progressiva mudança, renasce este novo Abrigo. Mudámos os dois (também de aparência! :) ) e por isso hoje começa uma nova etapa para este espaço. Partilharei mais escrita pessoal, mais textos e poemas, algumas opiniões, algumas "crónicas" das viagens que vou tendo a felicidade de poder fazer... Principalmente, partilharei e escreverei mais. É um compromisso que quero honrar, para evitar deixar para segundo plano uma das coisas que me faz mais feliz: escrever.
Se nos acompanhaste (a mim e ao Abrigo), por mais ou menos tempo, ao longo destes 10 anos: obrigada. Muitas vezes tive a tentação de deixar de alimentar este espaço, mas dentro de mim sempre algo me disse que valia a pena, por uma só pessoa que fosse que gostasse de me ler. Obrigada a ti, que és uma dessas pessoas! Hoje O Abrigo renasce para ti.
2 de outubro de 2015
Braços baixos não se querem ver!
Foi ontem, o dia mundial da música. É depois de amanhã, o dia de tentar mudar alguma coisa. Talvez nada melhore, talvez o que esperamos não se cumpra, talvez continue a faltar cumprir-se Portugal, talvez continuemos a "dormir", à espera. Mas em cada dia é-nos dada essa oportunidade e está nas nossas mãos fazer alguma coisa. Hoje, o meu desafio é para que saiamos de nós e nos arrisquemos a mostrar as nossas falhas, mas também as coisas que nos fazem felizes. Já tem dois anos, esta gravação, mas nunca tinha saído dos confins dos nossos computadores... Foi um dia feliz, divertimo-nos e fizemos algo com falhas mas, humildemente, bonito. Amanhã é outro dia! Acorda, Portugal!
(a música e letra são do Tiago Bettencourt, a interpretação foi a possível por mim e pelo Miguel Conde, a montagem e edição são do Luís Nuno, a foto de fundo é do meu amigo Felipe Villarroya e o vídeo é do meu fraco talento para o Movie Maker! :D )
17 de setembro de 2015
Escolhi ser feliz.
Faz hoje 10 anos. Recebi uma chamada que confirmava as minhas previsões: tinha garantido o meu lugar na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto. Foi a melhor decisão da minha vida e, dez anos depois, só o posso confirmar.
Faz 10 anos que entrei em Farmácia, que fui caloira, que vesti de roxo, que fui praxada e, sobretudo, que comecei a viver os melhores anos destes 28 que cá cantam. Faz 10 anos que entraram na minha vida grandes amigos, dos mais velhos aos mais novos, pessoas maravilhosas que ainda hoje preenchem os meus dias de sorrisos e alegrias, apesar da distância. Pessoas que sinto saudades de abraçar, diariamente.
Faz 10 anos que comecei a aprender a ser farmacêutica, uma profissão nobre da que muito me orgulho. Mas também faz 10 anos (mais mês, menos mês...) que comecei a aprender a ser investigadora, a ser praxista, a ser Sirigaita, a ser AEFFUP, a trazer o roxo no coração e a levar esta marca onde quer que vá.
Não há coincidências. Há 10 anos fiz a melhor escolha da minha vida e jamais me hei-de arrepender. Por mais voltas que a vida dê, ainda que a vida mudasse tanto que nunca chegasse a exercer a minha profissão, naquelas quatro paredes de Aníbal Cunha eu fui MUITO feliz, e isso é algo que ninguém me poderá nunca roubar. Obrigada. :')
(neste agradecimento incluem-se todos os que estão perfeitamente identificados dentro de mim... os professores, os funcionários, o laboratório de QO, os doutores, os veteranos, os caloiros, os amigos, as direcções da AE, os 05/09+1, os Pintarolas... todos. :) )
![]() |
| (foto do meu amigo Quim Monteiro :) ) |
13 de setembro de 2015
Dias de sorte.
No silêncio dos segredos,
amanheceste em mim.
Foste luz na madrugada,
foste esperança no fim da noite,
foste vida saída da escuridão.
Amanheceste e fiz-me nova,
reconstruída do chão,
renascida das cinzas,
fénix de asas vermelhas no céu azul,
rio de prata a correr de novo para o mar.
E eu que sou de palavras,
aprendi a cor do silêncio,
voei ao sabor do vento,
iluminei caminhos com sorrisos,
construí castelos com abraços,
fiz-me nova, a cada dia,
e aprendi a ser feliz.
[05.05.2015]
amanheceste em mim.
Foste luz na madrugada,
foste esperança no fim da noite,
foste vida saída da escuridão.
Amanheceste e fiz-me nova,
reconstruída do chão,
renascida das cinzas,
fénix de asas vermelhas no céu azul,
rio de prata a correr de novo para o mar.
E eu que sou de palavras,
aprendi a cor do silêncio,
voei ao sabor do vento,
iluminei caminhos com sorrisos,
construí castelos com abraços,
fiz-me nova, a cada dia,
e aprendi a ser feliz.
[05.05.2015]
3 de setembro de 2015
Perdão.
Olho à minha volta, vejo, leio, penso e repenso uma e outra vez no mesmo, enchem-se-me os olhos de lágrimas... E continuo a regressar à mesma frase: "Will God ever forgive us for what we've done to each other?" (do filme "Diamante de Sangue") Será? Será que continuará inequivocamente a perdoar-nos por tudo, tudo o que temos feito uns aos outros? A cada dia que passa o mundo parece um lugar mais assustador e, ao mesmo tempo, tudo parece tão longínquo deste pequeno recanto da Terra onde vivo os meus dias. Não sei se quero que este mundo seja o meu, não sei se quero ser considerada igual a estas pessoas que se fecham ao desespero e ao sofrimento dos irmãos, mas também não sei se estou a fazer tudo o que posso por ser diferente. A cada dia que passa, o ser humano vai contribuindo para que eu me desengane e deixe de acreditar que as pessoas são intrinsecamente boas mas cometem erros e têm atitudes más. Caminhamos não sei bem para onde, mas é importante que nos lembremos sempre, como li hoje num blog que admiro, que a Europa somos nós, o Mundo somos nós e nenhuma crítica, nenhum dedo apontado às atitudes dos outros nos ilibam de culpa. Não sei se alguma vez aprenderemos com os erros, mas só consigo pensar que um dia seremos olhados como a geração que permitiu que estes horrores acontecessem. E, Deus nos perdoe, havemos de nos enterrar mais e mais fundo nos nossos túmulos, cobertos de vergonha. Porque continuo sem compreender como algumas pessoas conseguem dormir com as suas próprias consciências. Como se podem perdoar a si próprios.
3 de junho de 2015
Como un documento inalterable.
Los que hemos elegido esta forma de vida, esta curiosidad por el mundo y por la vida como profesión, a menudo nos sentimos desubicados, hijos de ninguna tierra, corazones rotos y esparcidos por todos los cantos del mundo por donde hemos pasado. Como si, a cada año que pasa, nos vayan robando personas y lugares, nos sigan arrancando de los abrazos y de las memórias donde estamos cómodos. Es una realidad inevitable y, sin embargo, siempre dolorosa. La vamos ignorando mientras pasan los días, porque sería insoportable de otra forma, pero en algún momento tenemos que enfrentarnos con ella y asumirla.
Entonces puede haber quién diga, "para qué te diste tanto, para qué te has unido tanto a esas personas?". Porque no sabría ser de otra manera. Donde vaya, donde esté, donde sea, ofreceré siempre mi corazón. Y la vida me enseña que merece la pena, siempre que, del otro lado, hay alguién que me ofrece también parte del suyo. Entonces nada más importa, nada está perdido.
15 de maio de 2015
"Recuerda tú que puedes"
Li por aí que hoje é o dia da Família. Hoje é sem dúvida um dos dias da minha (parabéns pequena Madalena! :) ), mas sobretudo saber disto fez-me pensar em quem somos e como vivemos.
Quando falo da minha família digo sempre que não somos muitos mas andamos sempre juntos para todo o lado. Porque os caminhos da vida nos levaram e continuarão a levar sempre por mil e um lugares, onde vamos construindo a(s) vida(s) e novos núcleos da mesma família, mas nem isso nos separa. Recordo as mil e uma celebrações familiares, mas principalmente vem-me à memória o dia da minha Imposição de Insígnias, com (quase) todos ali a ver-me rir e chorar e inundar-me de felicidade. Não sei se alguém levou tanta família como eu a esse evento, mas sei que não poderia ser de nenhuma outra forma. Um dia chegarei também ao fim desta luta e sei que os terei perto, de novo (porque não se pode estar mais perto do que aqueles que trazemos dentro).
A família é a casa das nossas primeiras e de todas as mais importantes recordações. Nela escrevemos algumas das páginas mais bonitas da nossa história e, às vezes, é nela que vamos buscar o que o tempo nos roubou da memória. Porque o corpo falha e pode chegar a apagar o que guardámos com tanto amor, mas enquanto tivermos quem nos recorde, teremos quem nos ajude a recordar. Neste dia da família oiço esta canção e penso que é nosso dever devolver a quem nos ama as suas memórias, da forma que melhor pudermos. Neste dia da família penso no medo de perder esses pedaços de história e na minha avó, que não se lembra do meu nome mas sorri sempre quando me vê, porque sabe que não somos estranhas. Quem me dera poder devolver-te a imagem da avó desempoeirada, despachada e activa que guardo comigo...
Subscrever:
Mensagens (Atom)

